sábado, 28 de fevereiro de 2009

Não sei para onde vou / Sei que não vou por aí!

Campos do Jordão - SP


Cântico negro

José Régio


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?


Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.


Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Considerações sobre o Direito de Família e a Separação

                                                                                                                                                                                                                   
Atenas - Grécia
                                                                                                                                                        

A palavra "FILOSOFIA",  amor à sabedoria, vem do grego, e o seu significado é super abrangente: envolve a investigação, análise, discussão, formação e reflexão de idéias ou visões de mundo. A Filosofia surgiu da inquietude das pessoas gerada pela curiosidade em compreender e questionar os valores e as interpretações aceitas na época sobre a realidade.


A concepção do "DIREITO" dentro da Filosofia, surgiu na Grécia antiga, em discussões travadas por Sócrates, Platão e cia. Eles trocavam idéias a respeito da vida, nas ágoras, como eram conhecidas as praças em Atenas. As ágoras eram esses lugares mágicos, onde se conversava livremente sobre qualquer coisa. Justiça, amor, liberdade, sexo, beleza.


É importante ressaltar a evolução da sociedade em busca de equilíbrio, sensatez e bom senso diante da família. Recebemos da nossa família, além da genética, a formação do caráter, valores e princípios, padrões de comportamento que Jung denominou de arquétipos, intuindo até mesmo que, de certa forma, o comportamento humano é hereditário, portanto, advém da genética. Nada porém, que o livre arbítrio não possa interferir, evidentemente. Entretanto, herdamos ao longo de nossa formação, sobretudo emoções e sentimentos que inconscientemente constituirão as nossas bases, nossa infra-estrutura, nossos alicerces.

O avanço da sociedade em relação à família, a que me referi acima, se traduz na possibilidade do acordo entre o casal, na separação amigável das partes, com a mínima interferência, embora necessária, do nosso sistema judiciário. 

Hoje em dia, a intervenção da Justiça no Direito de Família se dá de duas formas: 

1º) Forma justa: 
Quando há um acordo entre o casal e só é necessária uma audiência para a homologação amigável da separação pelo juiz. Essa é a forma ideal e menos traumática; e 

2ª) Forma "direita":
Quando não há acordo entre o casal, e aí, então, uma das partes propõe uma ação de separação judicial litigiosa. Esse é o único meio para se oficializar a separação do casal, porém, além de dolorosa, essa forma passa a ser traumática, dispendiosa, fere o direito à privacidade dos envolvidos, dura uma eternidade por causa da ineficiência da nossa justiça e, principalmente, se torna muito injusta quando se é forçado a depender da sensibilidade dos juízes. Resultado: O casal passa a se odiar eternamente e todos perdem com isso, pois passam por experiências humilhantes que poderiam ter sido evitadas num acordo e, quando há filhos, o dano é irreparável. Uma tragédia, literalmente, grega! 

A família e a formação que recebemos imprimem marcas eternas nas nossas vidas. 

Somos o resultado de um processo de evolução ao longo de gerações, no qual o comportamento, a maneira de interpretar o mundo à nossa volta, foram componentes fundamentais para a nossa sobrevivência, a da família e, conseqüentemente, para a sobrevivência da sociedade. 

O casamento não é fácil, o relacionamento entre as pessoas já é complicado, mas se lembrarmos de análises mais cuidadosas de vários pensadores, como Freud e Weber, particularmente, envolvendo a psicologia e a sociologia, podemos entender que a atitude do indivíduo dentro de uma nova família constituída é a busca constante e inconsciente de toda a herança de sua própria família original. Por esse motivo é fundamental que tentemos relevar e transcender os desentendimentos inevitáveis. 

Buscamos a felicidade nos valores que nos foram transmitidos, e, certamente, esta busca de padrões de comportamentos, emoções, podem explicar em parte o problema da separação conjugal. Podemos também tentar criar uma vida em comum diferente, porém, que satisfaça, em parte, as pessoas envolvidas no relacionamento amoroso. Isso só será possível se acharmos que valerá à pena permanecer ao lado da pessoa que escolhemos um dia, pois teremos então que transigir constantemente, para que a relação funcione. 

Há conflitos naturais, conscientes ou inconscientes porém evidentes, entre um homem e uma mulher: princípios, modos de encarar a vida, biologia, constituição genética, e por aí a fora. Possuímos histórias diversas. Se mesmo irmãos de uma mesma família, são indivíduos distintos, com diferentes interpretações, apesar de terem recebido uma mesma educação, imagine um casal constituído por pessoas que, simplesmente, se amam. 

A vida conjugal é uma coleção de conflitos e de conciliações, uma busca constante do estado de equilíbrio entre as diferenças dos padrões que herdamos e de valores que vivenciamos ao longo do tempo. No momento em que estes conflitos se tornam evidentes, dependendo da maturidade e da formação individual de cada um, e da forma como o casal enfrentará a situação, conseguindo solucioná-los ou não, é possível seguir adiante e manter o relacionamento de forma saudável, cabendo a cada um dos envolvidos, escolher o novo caminho. Junto ou separado!

O papel do advogado no Direito de Família hoje em dia, é de grande responsabilidade, pois é fundamental lembrar que lida com pessoas que têm sentimentos e estão fragilizadas nesse momento particular, portanto, devem tentar amparar, apontar caminhos objetivos, para uma família em processo de extinção. A razão nesse momento deve prevalecer sobre a emoção para minimizar o dano e a dor de todos os envolvidos, especialmente dos filhos, a fim de preservá-los. 

Quem se casa, nunca pensa em se separar um dia... Não é verdade?

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Acabou a folia...

Praia de Pitangueiras - Guarujá - SP




sábado, 21 de fevereiro de 2009

É Carnaval!


Índia

A Escola de Samba Pérola Negra, da Vila Madalena, em São Paulo, vai desfilar neste sábado, às 23h30hs. A escola decidiu levar para a avenida neste ano o samba-enredo "Guiado por Surya, pelos Caminhos da Índia, em Busca da Pérola Sagrada", apostando em duas vertentes: ecologia e inclusão social: "Como vamos falar da Índia, um país em que há uma cultura de muito respeito aos animais, nossas fantasias não vão utilizar nada feito de animal, não teremos plumas, por exemplo, mas mesmo assim a criatividade do carnavalesco garantirá fantasias muito bonitas". A escola levará ao Sambódromo 3.200 integrantes, e contará um pouco sobre a Índia: "O enredo conta a história de um personagem que dorme e sonha estar naquele país, onde teria que procurar um tesouro. No fim, ele descobre que o tesouro está no seu coração: o amor à Pérola Negra." Será um bonito espetáculo! Confiram e torçam pela Pérola, ela merece. E, por acaso, é a minha escola.


Samba Enredo - 2009
G.R.S.C. Escola de Samba Pérola Negra

O VENTO SOPROU... AROMA
NO SONHO LINDO... UM JARDIM DE ALEGRIA
UMA VOZ SOBERANA ME FEZ VIAJAR
PARAÍSO DE ENCANTO E MAGIA
PELOS CAMINHOS DA INDIA – SHANGRI LA
A PÉROLA SAGRADA FUI BUSCAR
O SÍMBOLO MAIS PURO DO AMOR
ALIANÇA ENTRE O HOMEM E O DIVINO
TROUXE PAZ, SABEDORIA
SURYA, LUZ QUE IRRADIA

MISTÉRIO DA FÉ MILENAR

CULTURA PRA ENRIQUECER, AO DESVENDAR

EM GOA RESPIREI FELICIDADE
DE CORPO E ALMA NA ESPERANÇA DE ENCONTRAR

E PASSO A PASSO, AMOR
O SOL ME ORIENTOU
CHEGUEI AO TEMPLO DO IMPERADOR
SENTI A MESMA PAIXÃO
MAS NÃO VI BRILHAR MINHA JÓIA RARA
VOLTEI AO JARDIM
AQUELA VOZ DISSE ASSIM
O CARNAVAL VALE OURO
E A INDIA É INSPIRAÇÃO
ENCONTREI VOCÊ 
NO MEU CORAÇÃO!

MEU BATUQUE FAZ A VILA MADALENA DESPERTAR
A COMUNIDADE ABRAÇOU

PÉROLA NEGRA O MEU GRANDE AMOR...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Filosofando sobre a vida.

Praia de Pitangueiras - Guarujá - SP
Um dia, pronto, me acabo/ e seja o que Deus quiser/ Morrer, que me importa/o diabo é deixar de viver."   Mário Quintana



A palavra Eutanásia vem do prefixo grego: eu - bom, belo, suave; e do sufixo: tanatos - morte. Seu sentido, ao pé da letra, seria de uma boa morte, ou seja, morrer sem sofrer. É respeitado o direito da pessoa doente à escolha de uma morte digna. 

Esse termo foi proposto, pela 1ª vez, em 1623, pelo filósofo inglês Francis Bacon, em sua obra: "História da Vida e da Morte", como sendo o tratamento adequado às doenças incuráveis. Influenciado pela corrente de pensamento da filosofia dominante na época, Bacon sustentou a tese de que, nas enfermidades consideradas incuráveis, era absolutamente humano e necessário dar uma boa morte e abolir o sofrimento dos doentes.

"O médico deve acalmar os sofrimentos e as dores não somente quando este traz a cura, mas também quando serve de meio para uma morte doce e tranqüila."

A discussão sobre os valores sociais, culturais, éticos e religiosos, envolvidos na questão da eutanásia, vem desde a Grécia antiga. Platão, Sócrates e Epicuro defendiam a idéia de que o sofrimento resultante de uma doença dolorosa justificava a indução à morte. Em Marselha, na França, neste período, havia um depósito público de cicuta a disposição de todos. Aristóteles, Pitágoras e Hipócrates, ao contrário, condenavam essa idéia. Essas discussões não ficaram restritas apenas à Grécia. Cleópatra criou, no Egito, um conselho para estudar formas de morte menos dolorosas. A discussão sobre o tema prosseguiu ao longo da história da humanidade, com a participação de Lutero, Thomas More na sua obra “Utopia”, David Hume, Karl Marx e Schopenhauer. A polêmica, portanto, é antiga. 

Atualmente, a eutanásia é permitida pela lei em situações muito especiais em que não há chances de cura, porém, é aceita em pouquíssimos países do mundo, pois a nossa sociedade não a compreende. A morte sempre inquietou o homem, não somos capazes de entendê-la e, muito menos, de aceitá-la. Hoje, como se sabe, há ampla discussão sobre o direito de morrer dignamente, como vimos no caso recente da italiana Eluana Englaro, que há 17 anos vivia em estado vegetativo após um acidente de carro.

Em 1996, no Brasil, foi proposto um projeto de lei no Senado Federal, instituindo a possibilidade de realização de procedimentos de eutanásia no país. Idéia que infelizmente não prosperou. Aqui a eutanásia se equipara ao crime de homicídio. No entender do jurista Ives Gandra Martins: "O homem não tem o direito de tirar a vida do seu semelhante, mas desligar aparelhos não é matar. O direito à vida é se manter vivo com os próprios meios." 

A Igreja Católica sempre se posicionou de forma contrária à eutanásia.  O Papa Pio XII aceitou, contudo, a possibilidade da utilização de drogas para diminuir o sofrimento de pacientes com dores insuportáveis, mesmo que, em conseqüência deste procedimento, a vida pudesse ser encurtada. A intenção é diminuir a dor, porém o efeito, sem vínculo causal, poderia vir a ser a morte do paciente.  "Se a administração dos narcóticos causa, por si mesma, dois efeitos distintos, a saber, de um lado, o alívio das dores; do outro, a abreviação da vida, então ela é lícita." Papa Pio XII. 

O Uruguai foi o primeiro país a legislar sobre a possibilidade de ser realizada a eutanásia no mundo. Em 1934, incluiu a possibilidade da eutanásia no seu Código Penal, através da expressão "homicídio piedoso". Esta legislação uruguaia é a primeira regulamentação nacional sobre o tema e continua em vigor até hoje. A proposta uruguaia é muito semelhante a utilizado na Holanda atualmente. Na Colômbia foi estabelecido, em 1997, que: "ninguém pode ser responsabilizado criminalmente por tirar a vida de um paciente terminal que tenha dado seu claro consentimento". Esta posição estabeleceu um grande debate nacional entre as correntes favoráveis e contrárias. A Colômbia foi o primeiro país sul-americano a constituir um Movimento de Direito à Morte, criado em 1979. Na Holanda a eutanásia vem sendo debatida desde a década de 1970. Inúmeras situações ocorridas com pacientes e seus médicos geraram questionamentos quanto aos seus aspectos morais e legais.  

Em 2001, finalmente, a Lei da Eutanásia foi aprovada na Holanda.  Entretanto, existem critérios legais estabelecidos que devem ser respeitados para a sua realização. São eles: a) quando o paciente tiver uma doença incurável e estiver com dores insuportáveis; b) o paciente deve ter pedido, voluntariamente, para morrer; e c) depois que um segundo médico tiver emitido sua opinião sobre o caso. 

Na sociedade moderna do século XXI, deveria ser respeitado o mais importante de todos os princípios, o da autonomia ou livre arbítrio do ser humano, como justificativa legítima e, portanto, fundamental, da eutanásia. Este é o princípio que rege predominantemente as relações médico/paciente, nos países de cultura anglo-saxônica, valorizando o consentimento esclarecido como pré-requisito básico da autodeterminação e da autonomia individual de consentir ou não na realização do ato médico. Os médicos têm permissão, e mais ainda, uma obrigação moral, como um ato de humanidade, de confortar e aliviar a dor daqueles pacientes terminais para os quais não resta mais nenhuma esperança de vida, tal como a entendemos. 

Quanto aos médicos e familiares envolvidos, todo agir é político, inclusive e principalmente, o agir ético. E, por mais que variem os enfoques filosóficos ou as condições históricas, algumas noções, ainda que bastante abstratas, permanecem firmes e constantes. Uma delas é a distinção entre o bem e o mal. Agir eticamente é agir de acordo com o bem.  A grande pergunta que fica é se seria possível ao médico prolongar a vida? Deveria o médico respeitar uma regra moral, intangível, imutável? Sem conceder ao paciente o seu direito de escolha? Ou seria necessário definir através da legislação os limites do direito de morrer e a atitude do médico? As ações e omissões se equivaleriam? Em 2001 aprovou-se na Holanda uma legislação sobre a morte assistida. Esta lei apenas tornou legal um procedimento que já era consentido pelo Poder Judiciário deste país há tempos. A repercussão mundial foi muito grande com forte posicionamento da Igreja Católica afirmando que esta lei atenta contra a dignidade humana...  Não seria o contrário?   

A idéia original do texto foi transpormos a morte para celebrarmos a vida.  Precisamos refletir todos os dias, como é importante vivermos cada momento, cada alegria, ao lado das pessoas que gostamos e que gostam de nós.  A despeito, metafisicamente, de toda nossa vã filosofia, a vida é vivida uma única vez.  Nesta vida temos que nos esforçar todos os dias, para deixarmos bons exemplos, boas recordações, bons valores, pois aqui deixaremos apenas memórias, portanto, que sejam as melhores! Especialmente para àqueles que amamos.
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Refletindo sobre a morte.

Central Park - Nova Iorque

Há uma tristeza instalada em meu peito. Ela dói e molha meus olhos, toma conta dos meus pensamentos. São os esbarrões que levamos da vida, uns mais violentos do que outros, que nos põem de frente com à certeza de nossa insignificância diante do infinito e dos mistérios do mundo que nos cerca. Lembro-me de uma conversa com um dos meus irmãos, meses depois da morte do meu pai. Ele se espantava com o fato de que o seu sofrimento não passava com o tempo, ao contrário, ele aumentava. 

Essas são tristezas que estamos condenados a carregar pelo resto de nossas vidas. Mas constato isso e, imediatamente, reflito: não é castigo, é um presente o fato de guardarmos na lembrança, e de uma maneira quase física, a imagem de alguém que preencheu nossos dias com exemplos e alegrias. É como se essas figuras excepcionais, que tivemos o privilégio de conhecer, desfrutar e conviver, se incorporassem definitivamente à nossa vida, ao nosso dia a dia. Permanecem dentro de nós e, sem nos avisar, em alguns momentos, tomam conta de nossa consciência, parecem nos influenciar a pensar de forma mais equilibrada, a agir de maneira mais suave e tranqüila. Essa presença nos conforta e nos encoraja de uma forma inexplicável.


Assim, se num primeiro momento nos sentimos perdidos e desamparados, com o tempo, é como se acrescentássemos as qualidades de quem passou pela nossa vida, aos nossos valores. Aí já não há somente a perda, a saudade, a noção real de que nunca mais veremos aquela pessoa tão querida. Faltarão sempre os abraços, os encontros inesperados em qualquer esquina, mas restarão as lembranças de momentos inesquecíveis, para sempre. 


Há um ganho e não uma perda que se incorpora em nossas vidas que nos ajuda a enfrentar a realidade. Acordo de manhã e me levanto para viver mais um dia. Num dado momento, me dou conta de que não estou sozinha, uma presença toma conta de mim. São instantes e eu me concentro para absorver o que sinto. Outras vezes, no meio de uma conversa, ao ouvir uma música ou notar um passarinho que parece que canta só pra mim, quando sinto o aroma de um prato gostoso, a imaginação voa, e então algo mágico acontece, uma conversa sem palavras, um toque, a certeza de que não estou sozinha. É, literalmente, uma injeção de energia que me dá força e coragem. Desfrutar e cultivar essas ocasiões é um privilégio para quem tem a sensibilidade de percebê-las, não me parece nenhuma loucura...


Não que eu queira me enganar ou me iludir para compensar a dor de nunca mais ter alguém que foi tão importante para mim, fisicamente, ao meu lado. “Certas vidas, certos homens e mulheres, marcam com tanta intensidade seu espaço no mundo, que a morte não é capaz de apagar a grandeza e humanidade do que construíram.” É isso.

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O Blog!

 Mutrib


Sou meio leiga nesse mundo dos BLOGS...

Isto posto, não faço a mínima idéia do porquê os links não funcionam direito ou as fotos que ilustram o site não aparecem. Tem gente que acessa apenas um texto, e não consegue, de forma nenhuma, ver o resto do conteúdo do site, outros vêem somente as imagens, alguns ainda até lêem os textos, porém, não enxergam as fotos. 

Que incompetência a minha! 

Enquanto aprendo a lidar com isso que chamam de Blog (inventam cada nome!), aproveito para divulgar o vídeo de uma apresentação da Gisela, minha irmã, que aconteceu no final do ano passado, no Centro Cultural São Paulo. Foi um espetáculo maravilhoso de música e dança do leste europeu, coordenado pela Betty Gervitz. O grupo Mutrib também participou da festa. Mutrib, na Turquia, significa: "energia que emana do encontro de músicos" - achei bonito. O grupo da Betty e o Mutrib se reuniram para nos conduzir a uma incrível viagem musical que passou pela região árabe do norte da África: Egito, Tunísia e Marrocos; atravessou a Turquia, Palestina, Síria e Israel; deu uma esticada até a Índia; e voltou, chegando ao leste europeu: Albânia, Grécia, Macedônia, Bulgária, Romênia e Hungria. 

Embora a minha opinião seja, no mínimo, suspeita, confiram! 


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Estou indignada. 

Depois de inúmeras tentativas, não consegui postar o tal do vídeo neste espaço "Bloguístico". O raio do Blog não me obedece. Também não é à toa, a palavra Blog nem foi encontrada no dicionário! Enquanto travo uma luta feroz com ele, o Blog. Baixei uma foto do evento no lugar do vídeo, só para vocês terem uma idéia da beleza do espetáculo. Fazer o quê? 

Vou tentar de novo...

Centro Cultural S. Paulo - dez/2008 - Grupo Betty Gervitz
video

Viva, consegui !!!
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Guiado por Surya, pelos Caminhos da Índia, em busca da Pérola Sagrada



MEU BATUQUE FAZ A VILA MADALENA DESPERTAR, A COMUNIDADE ABRAÇOU
PÉROLA NEGRA O MEU GRANDE AMOR...


O Carnaval está chegando. E eu amo Carnaval! Sempre gostei. O Carnaval faz parte da minha vida desde que me entendo por gente. Quando era criança não perdia, por nada no mundo, às matinées do Clube Pinheiros aqui em São Paulo. Acho que tudo começou quando vencemos, eu e a minha irmã, um concurso de fantasias numa cidade do interior paulista, São José do Rio Preto. Foi aí que o encanto começou. O nome da nossa dupla era: "As Índias Canadenses", minha avó que inventou, o máximo! A fantasia das índias tinha direito à lantejoulas, barriga de fora, cocares legítimos dos índios do Canadá - presente da tia que viajava o mundo todo, botas de couro brancas de cano longo e salto alto. Minha irmã guardou a taça (sim, ganhamos um troféu daqueles bem reluzentes) há até bem pouco tempo, por quase quatro décadas. Durante toda a minha adolescência desfilava, literalmente, na avenida que margeava o rio Paraíba, em Guaratinguetá, cidadezinha encantadora que fica a meio caminho entre São Paulo e Rio de Janeiro. E, Beira Rio, era o nome da minha Escola, embora eu sempre tenha torcido para a rival, a Unidos do Tamandaré, que na época era imbatível. Me esbaldava nas matinées e bailes do Clube Itaguará. Minha primeira paixão, como não poderia deixar de ser, aconteceu num Carnaval em Guará. Inesquecível. Tanto quanto, o suco de limão batido com gelo, o pão de ló, e o riacho que passava no jardim da casa do tio César, que nos acolhia com tanto carinho, todos os anos nessa época. Já providenciei os ingressos deste Carnaval no Sambódromo, e vou assistir, em muito boa companhia, o desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial de São Paulo no próximo sábado. Isso porque desisti na última hora de sair na minha, a Pérola Negra, cujo tema deste ano é justamente... a Índia. Faltou coragem. Viajo pra lá em breve, pra isso sou destemida. 

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domingo, 15 de fevereiro de 2009

A Caminho da Índia!


Eu adoro viajar! Pensando bem, quem é que não gosta?
Já conheci uma porção de lugares interessantes na vida, porém, nunca imaginei que um dia iria passear na Índia. 
Embora esteja na moda aqui no Brasil, este país fica do outro lado do mundo e em outro hemisfério também. Isso assusta. Fora os costumes do povo, completamente diferentes dos nossos. Isso me apavora.
Pois bem, surgiu uma oportunidade dessas que só aparecem uma vez, e como normalmente não costumo desperdiçar nenhuma delas, lá vou eu de novo viajar pelo mundo. Estou arrumando as malas. Lendo, pesquisando, providenciando o visto, conversando com pessoas incríveis que lá estiveram e que muito têm me ajudado. 
Este é um capítulo à parte - as pessoas. 
As pessoas que viajaram ou moraram na Índia não são pessoas comuns. Eu estou tendo o privilégio de conhecê-las só agora. Antes tarde... com bem diz o ditado. São pessoas especiais. A Renata, a Roberta, a Julia, o Marcelo, o Fabio, o André, o Cezar, a Livia, o Ayush, o Gil, o Elias, o Fernando, a Caroline, o Amitabh, o Swami, e outros tantos. São pessoas iluminadas! Elas estão conseguindo me convencer de que o fundamental é ir pra Índia com o coração aberto. Só assim valerá a pena a viagem. Não é qualquer um que consegue sentir a alma desse lugar. Tem gente que ama, tem gente que odeia. É um país tão diferente do nosso... Será que eu vou conseguir vislumbrar a magia de lá? Que Brahma, Shiva e Ganesha me ajudem!
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